No
início da década de 90 e devido ao grande crescimento
que a Internet começava a ter a nível mundial, houve
a percepção de que os endereços disponíveis
para identificar computadores ligados à Internet - os endereços
IP - eram um recurso escasso e viriam a ser insuficientes para identificar
de modo unívoco todos os computadores que viriam a estar
ligados à Internet dentro de alguns anos.
No âmbito do IETF (www.ietf.org), a organização
responsável pela normalização na área
da Internet, começou a ser estudado um novo protocolo que
deveria substituir o protocolo actualmente em uso, o protocolo IP
versão 4 (IPv4).
O mandato do IETF incluía o desenho de um novo protocolo
que ultrapassasse as limitações de endereçamento
do IPv4 (32 bits) e incluísse também inovações
em várias áreas onde se conheciam limitações
do IPv4.
Após serem avaliadas várias alternativas ao IPv4 acabou
por ser escolhido um novo protocolo que passou a ser conhecido por
IPv6 (IP versão 6). O IPv6 além de um grande aumento
no espaço de endereços, que passou a dispor de 128
bits, procurou dar novas facilidades ao protocolo IP do futuro:
• processamento mais eficiente do protocolo
• segurança acrescida
• mobilidade
• auto-configuração
Em meados da década de 90 diversos especialistas
julgavam que a migração do IPv4 para IPv6 era muito
urgente devido à crescente escassez de endereços
IPv4. Todavia vieram a ser tomadas uma série de iniciativas
que tem vindo a permitir que o espaço de endereços
do IPv4 ainda hoje não tenha atingido o grau de exaustão
inicialmente antecipado, do que se realça:
• agregação de endereços
• políticas mais rigorosas de atribuição
de endereços
• políticas de reutilização de endereços
através de DHCP ou através do uso nas redes das
instituições de endereços privativos
De qualquer modo há uma crescente preocupação
em que, apesar de hoje ainda haver espaço de endereços
para continuar a usar IPv4, se torna necessário começar
a planear a migração para IPv6 para preparar os
utilizadores e a indústria para este "salto tecnológico".
Em particular há zonas do globo onde a Internet começou
a ser usada mais tarde e onde a escassez de endereços é
mais séria (casos do Japão e da China) que estão
preocupados em avançar rapidamente para a adesão
ao IPv6.
Também na Europa, onde a situação não
será tão grave como no Japão ou na China,
há uma preocupação significativa numa preparação
atempada e cuidada na migração da Internet para
uma rede baseada em IPv6.
Como sinal desta preocupação a Comunicação
da Comissão Europeia ao Conselho e ao Parlamento - COM(2002)
96 final - intitulada "Internet da próxima geração
- prioridades de acção na migração
para o novo protocolo Internet IPv6" cria o contexto para
os países da União Europeia se começarem
a preparar para o IPv6 e para que a Europa tenha uma posição
de liderança em IPv6 e que contribua para atingir os objectivos
traçados na Cimeira de Lisboa em 2000.
Deste documento extraem-se alguns aspectos deste
documento:
1. Um aumento do apoio ao IPv6 em redes e serviços públicos;
2. O estabelecimento e lançamento de programas educativos
sobre IPv6;
3. A adopção do IPv6 através de campanhas
de aumento da consciencialização;
4. O incentivo contínuo da implantação da
Internet na União Europeia;
5. Um apoio crescente a actividades de IPv6 no 6.º Programa-Quadro;
6. O reforço do apoio da utilização do IPv6
nas redes nacionais e europeias de investigação
7. Uma contribuição activa para a promoção
do trabalho relativo às normas IPv6;
8. A integração do IPv6 em todos os planos estratégicos
relativos à utilização de novos serviços
Internet.
No Plano de Acção eEurope 2005, aprovado
na Cimeira de Sevilha inclui-se:
The Barcelona European Council called on the Commission to draw
up an eEurope action plan focussing on “the widespread availability
and use of broadband networks throughout the Union by 2005 and
the development of Internet protocol IPv6 …. and the security
of networks and information, eGovernment, eLearning, eHealth and
eBusiness”
mostrando a aposta da União Europeia em usar o IPv6 como
mais um instrumento para acelerar o passo para a Sociedade do
Conhecimento.